A pseudoobjetividade positivista estadunidense é cultuada e copiada nas redações dos jornais brasileiros desde a metade do século passado. Nos manuais de redação o repórter é instruído a manter uma distância do tema abordado, ser imparcial, ouvir os dois (ou mais) lados envolvidos na questão, etc. As críticas a esse sistema não são novidades, já circulam a um bom tempo na academia teorias a respeito da subjetividade da narração, sobre a impossibilidade da abordagem objetiva e, até mesmo, teses que defendem a não existência do fato em si que preceda o relato, mas apenas o relato do fato (poderíamos enquadrar essa última na categoria da metafísica da imprensa).
Nós do antijornalismoinvestigativo do Leste europeu, não defendemos teoria alguma, nós fundamos uma prática. Nosso anti-sistema possui um manual de redação com apenas uma página, nesta página existe apenas um parágrafo e nele está escrito:
“Para todo anti-repórter é expressamente proibido, tendo como punição para os infratores a pena de morte por fuzilamento, obedecer a qualquer norma que inviabilize, desvirtue, atrase ou empobreça o ato de elaboração de uma antimatéria”
Tendo em vista meu amor pela vodka e cigarros sem filtro, prazeres impossíveis de serem desfrutados pelos mortos, pretendo continuar vivo e, portanto, longe de pelotões e paredões de fuzilamento. Assim sendo, obedeço fielmente às regras do nosso sagrado manual de redação.
Infiro que, com minha breve introdução, já se tornou compreensível para você leitor a relevância dos métodos que usei, os quais relatarei nas próximas linhas, para tornar minha antimatéria “A triste saga do filho da porca” mais atraente.
Desde o início da apuração até o momento em que Genial se chafurda em Brasília me limitei a descrever os fatos ocorridos, pois eles bastavam para a elaboração de uma antirreportageminvestigativa de peso. Porém, a vida de nosso protagonista estava muito estabilizada e tranqüila, fato este que não me propiciava um bom enredo. Tendo em vista o bem estar e a diversão do leitor do SOSLAIOBLOG, resolvi interferir um pouco na história. Para isso, bastaram alguns goles de vodka e uma conversa com a pobre irmã Carminha, a ex-freira transformada em prostituta alcoólatra e sifilítica. A convenci de que Genial lhe devia muito e que com alguns telefonemas eu poderia conseguir facilmente agendar um depoimento da prostituta em uma das CPMI’s que acontecem em Brasília.
Os olhinhos quase cegos da puta sifilítica ex-religiosa brilharam ao ouvir minhas idéias...
(continua no próximo post...)



2 Comments:
xiiiiiiiiiiiii, depois de uma vodka...
sei não heim...
kkkkkkkkkkkkk
muito bom texto!
Boa semana pra vcs!
Bia
Muito interessante o blog...
Obrigada pela visita!
beijos
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