Um assessor, um cigarro e um carro chapa branca
- A triste saga do filho da porca
A viagem de avião até Brasília foi tranqüila. Eu dormi embalado pelos leves tremores que a idade e a vodka me proporcionam, enquanto Carminha deliciou-se comendo na primeira classe e cantarolando hinos religiosos de antigas Campanhas da Fraternidade alternados com os últimos sucessos do “funk proibidão” (influência dos fregueses cariocas da pobre puta).
Desperto pela aeromoça, desembarquei com minha bizarra acompanhante e aguardei no aeroporto a chegada do meu contato encarregado de nos conseguir moradia. O assessor do meu amigo do senado apareceu muito nervoso, se desculpando de todas as formas que sabia pela ausência de seu chefe, falando algo sobre imprevistos, mas assegurando que tudo seria esclarecido e que como compensação estávamos convidados a ficar em um ótimo apartamento funcional. Os serviços de sempre estavam disponíveis, bastando escolher as acompanhantes (nada como a civilidade dos eufemismos) com certa antecedência para que elas pegassem o primeiro vôo São Paulo – Brasília.
Vai contra minha natureza qualquer ato violência, inclusive Gandhi é meu ídolo, mas foi necessário lembrar ao meu amigo ausente com quem ele estava lidando:
- Por favor, estenda a sua mão – ordenei ao assessor.
- Co... co... como assim, senhor? – suplicou o infeliz.
Minha resposta foi segurar seu pulso e erguer seu braço até a altura da minha cintura.
- Abra a mão! – disse encarando seu ridículo olhar.
O pobre diabo abriu a mão trêmula e imediatamente apaguei meu cigarro sem filtro na sua palma. No instante em que a brasa tocou a pele, suas pernas fraquejaram e um gemido efeminado escapou de sua garganta, o assessor teria caído de joelhos se eu não o segurasse firmemente.
- Quando se reencontrar com seu chefe não se esqueça de lhe mostrar a queimadura e transmita meus agradecimentos – disse segurando-o ainda pelo pulso enquanto esperava que se acalmasse.
Preferi não olhar para ver a reação de Carminha, mas posso dizer que a vida nas ruas temperou seu espírito, a religiosa de tempos atrás não teria agüentado essa cena... Bom, pensando bem, sabe-se lá o que acontece nas sombras do lado de dentro dos muros de um convento.
Caminhamos até o carro chapa branca que nos levaria ao apartamento funcional. Em todo o caminho o assessor do senador não parava de olhar para a ferida. Quando percebeu que eu o olhava de soslaio, disfarçou com trejeitos ridículos. Aquilo me irritou e quando nos despedimos na porta do carro, fiz questão de cumprimenta-lo com um forte aperto de mão.
(Nota da redação: esclarecemos aos leitores menos perspicazes que a parte sobre Gandhi foi apenas um chiste)



15 Comments:
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Diferente e interessante a proposta de seu blog. Gostei e visitarei c/freqüência ok. Vim tb agradecer p/visita ao Opinatudo.
Abraços.
Bom, pensando bem, sabe-se lá o que acontece nas sombras do lado de dentro dos muros de um convento...
FALOU TUDO!!!!!!!!
olhava de soslaio...
Realmente vocês estão de parabéns!
Tudo muito criativo, idéias, personagens.
Até a próxima...
Beijos
Bia
nossa.
tem muito o que se ler aqui. de cara, já gostei. e voltarei.
(gracias pela visita ao Casa)
;)
Putz, isso do cigarro deve doer demais... coitado do carinha... afe...
Gostei do blog!!!
:)
Passando aqui para uma espiada. Grato pela visita. Voltarei...
Um abraço...
Acho que deve-se surpreender, não chocar. Infelizmente você ficou com a segunda.
De todo o texto, gostei apenas dessa frase: "mas posso dizer que a vida nas ruas temperou seu espírito"
Espero que aprecie críticas.
Resposta da redação a Barretoivoski:
Bom, como já foi dito:
"Toda unanimidade é burra". Portanto, agradecemos a você por acabar com os, até então, unânimes aplausos. Até um certo vento de alívio percorre a redação neste instante, pois temos fibra e, porra, o que mais precisávamos fazer para que a poeira fosse ao ar com o movimento dos protestos?
Quanto a se dever ou não chocar, é questão de opção, estilo e objetivos. Surpresa e choque não são opções auto-excludentes.
O choque não é mau em si, nele pode-se nascer a denúncia até então escondida em eufemismos e salamaleques educados. Educação é boa na media em que proporciona estabilidade e ruim enquanto mantenedora do que deveria ser destruído.
A literatura que admiramos não foi feita pelos bem comportados. O chocante, o agressivo, o feio, o asqueroso existem e não nasceram no antijornalismo.
Sem ironia alguma, agradecemos sua visita e esperamos seu retorno. Afinal nosso objetivo está sendo alcançado.
Abraços cordiais da Redação.
adorei essa polêmica!
pelo jeito o soslaioblog é um grande rato negro que entrou na sala burguesa cheia de garotinhas que agora estão apavoradas dando pulinhos, gritinhos e gemidos em cima de cadeiras. a primeira burguesa sensível já está gemendo aí em cima e se chama Barretoivoski. mUITO BOMMMM huahauhauahu
mto bom o blog, tah adicionado
amigos meus, por puro abuso de poder(dos outros),tiveram muitos cigarros apagados na palma de suas mãos,ainda hoje vejo as cicatrizes e imagino o quanto as pernas tremeram de dor...mas isso não vem ao caso,apenas lembrei...
tive que rir quando mencionou Gandhi,depois li a nota de rodapé,rssss
pois é,me surpreendi com seu comentário,lá no fundão sei que todos temos um ladinho do bem,mas bem lá no fundinho,rssssss
volto pra ver o desfecho...
linda semana
beijosssssssssssss
Vcs gostaram lá de casa e eu gostei daqui. Coisa boa é encontrar leitura inteligente como os textos que vcs escrevem. Obrigada pela visita e podem crer que voltarei muito mais vezes.
Abraços.
chiste ^^ Nota-se
alguns amigos meus muito dados a vida em meio aos parlamentares diria q queimar a mãod eum pobre infeliz ñ é nada
=D
ja eu diria...uma marca assim ñ fica apenas no fisico, trasporta-se ao espirito e corrompe o ser
ain ain poder!
thanks pela visita!
;)
Eu já fui assessor de político. Cinco longos anos. Só que comigo era diferente, trabalhava por não ter coisa melhor para fazer. Rico sofre muito de tédio, sabe. O fato é que hoje sou um arquivo vivo e escondido tenho que ficar, longe da mira dos tucanos e daqueles que querem saber o que eu sei. Agora vou ler a parte das lésbicas suecas, que é um assunto que muito me agrada.
Abraços.
Ah, já ia esquecendo: de tanta putaria nesse blog, tomei a liberdade de linká-los.
Bye
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